terça-feira, 31 de maio de 2011

Recordações duma viagem ao Alentejo (III) Coudelaria Alter Real (AR)



A fundação da Coudelaria de Alter não foi um acto ocasional e isolado.

Surgiu como corolário lógico de um tempo histórico e de uma política coudélica, personificados em D.João V, o Rei Magnânimo.

A ordem da Junta do Estado e Casa de Bragança, de 9 de Dezembro de 1748, marca a fundação da Coudelaria de Alter, e tem o significado simbólico de " Registo " da Tapada do Arneiro como " Solar " do cavalo de Alter-Real.

O documento fundacional da Coudelaria de Alter foi emitido por D.João V como:
" ADMINISTRADOR DA PESSOA E BENS DO PRÍNCIPE D.JOSÉ, MEU SOBRE TODOS MUITO AMADO E PREZADO FILHO, DUQUE DE BRAGANÇA ".

É ao Rei D.José I que, quase inteiramente, cabe o mérito da estruturação da Coudelaria de Alter:

Formação da manada, instalações coudélicas, alargamento do assento agrícola e da área de pastoreio, promulgação do primeiro regime coudélico que vigorou na Coudelaria.

A Casa Ducal de Bragança foi, como executante da vontade Régia de D.João V e de D.José I, o esteio da fundação e estruturação da Coudelaria de Alter.

A Coudelaria é, então, da Casa Real que a recebeu, em 1770, da Casa de Bragança, num quadro de relação bem definido; a Casa de Bragança, proprietária dos prédios utilizados pela Coudelaria de Alter; a Casa Real, reconhecida como senhoria da manada, e na situação de rendeira daqueles prédios.

Na Picaria Real, em Lisboa, o ensino de D. Pedro de Meneses, 4º Marquês de Marialva e Estribeiro-Mor da Casa Real, alcança a perfeição no rigor da técnica, na beleza dos movimentos, na elegância das atitudes. O Cavalo Alter-Real atinge o seu esplendor.

A primeira vintena do século XIX foi um período de sombras para a Coudelaria de Alter; roubo dos melhores cavalos Alter-Real, danos nas piaras, redução na área do pastoreio, vandalismo nas instalações, primeiras ameaças à integridade étnica da manada.

Em defesa da Coudelaria de Alter agiganta-se, neste período de sombras, a figura do Princípe Regente D.João.
Mas era uma luz longínqua, no Rio de Janeiro, e em Portugal o Marechal inglês Beresford. Era o poder.

- "Que se conserve sempre pura esta raça"
   12 de Dezembro de 1812
-"Que não se consinta que pessoa alguma se intrometa com o que pertence às manadas e suas pastagens"
  18 de Janeiro de 1815.

Da Nacionalização das Reais Manadas à usurpação da Coutada do Arneiro. Questionada até à existência da Coudelaria de Alter.

E mais uma vez D.João, já como Rei. A merecer um registo de memória no historial da Coudelaria de Alter.

CONTINUIDADE DIFÍCIL - 1842 - 1910

Um longo tempo de dificuldades e sobressaltos para a Coudelaria, mas também de graves ameaças à integridade étnica do Cavalo Alter-Real, foi o tempo dos cruzamentos.

COUDELARIA MILITAR - 1911 - 1941

Proclamado o regime republicano, e arrestados os bens da coroa, a Coudelaria é integrada no Ministério da Guerra, na dependência da comissão técnica de remonta, com o nome de Coudelaria Militar de Alter do Chão.

O tempo da Coudelaria Militar é uma presença notável na planificação das instalações e na racionalização da exploração agrícola da Coutada do Arneiro.

RECUPERAÇÃO DO ALTER-REAL - 1942 - 1995

Em Janeiro de 1942 dá-se a integração da Coudelaria no Ministério da Economia, na jurisdição da Direcção-Geral dos Serviços Pecuários.

Começava um longo caminho de meio século de recuperação do Alter-Real.

A recuperação do Alter-Real foi um esforço tenaz e persistente, com tempos de grandeza e de crise, de maior dinamismo e de mais apagada acção, mas, indiscutivelmente, um esforço coroado de sucesso.

REACTIVAÇÃO DA COUDELARIA DE ALTER

1996 - Arranque de uma nova etapa

Preservar e valorizar o património genético e cultural que a Coudelaria de Alter encerra e simboliza …

Um caminho que se dirige em exclusivo ao cavalo mas que passa, também, pelo desenvolvimento sócio-económico cultural e turístico do norte alentejano.

Mérito de definir e traçar esse caminho coube, em 1996, ao engenheiro Fernando Van-Zeller Gomes da Silva, ministro da agricultura.

Um destaque que lhe é devido no memorial da coudelaria, pelo respeito com que contemplou o passado, pela ambição com que perspectivou o futuro da Coudelaria Alter-Real.


 
  
                               


Vasco Lopes da Gama

Recordações duma viagem ao Alentejo (II) - Alter do Chão

                                                Panorâmica de Alter do Chão

                                              Castelo de Alter do Chão

A origem de Alter do Chão poderá ser atribuída a um povoado romano, fundado a partir de um aglomerado da Idade do Ferro em Alter Pedroso.

De Abelterium, cidade romana que vem referenciada no Itinerário de Antonino Pio, terá provavelmente nascido Alter do Chão. 

No reinado de D. Sancho II, o Bispo da Diocese da Guarda D. Vicente, propôs “restaurar e povoar Alter”, atribuindo-lhe o 1º Foral no ano de 1232. D. Afonso III com o objectivo de incentivar o povoamento, manda reconstruí-la e terá concedido novo Foral em 1249. D. Dinis atribui-lhe dois Forais em anos consecutivos, o último data de 25 de Março de 1293 e conferia-lhe todos os privilégios de Santarém.

Em 1359, D. Pedro I mandou edificar o actual Castelo e confirma-lhe, através de nova carta de Foral os privilégios anteriores.

D. João I, Mestre da Ordem de Avis, cede em senhorio a D. Nuno Álvares Pereira, passando os bens para a Casa de Barcelos e posteriormente para a Casa de Bragança, fundada pelo casamento de D. Beatriz, filha do Condestável com D. Afonso, filho bastardo do progenitor da Ínclita Geração.

O Foral de Leitura Nova, foi-lhe atribuído a 1 de Junho de 1512 no decurso da nova reforma mandada efectivar por D. Manuel.

Do período quinhentista as construções que subsistem mostram a vitalidade e importância que a vila tomou.

São deste período o Chafariz Renascentista, Igreja de Nossa Senhora da Alegria e a Janela Geminada, na Rua General Blanco.

Prova evidente do desenvolvimento que Alter alcançou no período Barroco, e do qual se pode orgulhar, são as várias construções civis e religiosas de entre elas algumas imponentes, das quais se destacam: Coudelaria de Alter, mandada construir por D. João V em 1748 por iniciativa do Príncipe D. José, para a produção do cavalo Lusitano, cujo destino era a Arte Equestre, muito em voga nas cortes daquela época; o Palácio do Álamo, Igreja do Senhor Jesus do Outeiro, Igreja do Convento de Santo António e os chafarizes da Barreira e dos Bonecos.

Património de Alter do Chão

Palácio e Quinta do Álamo: 
Moradia brasonada mandada construir em 1649 por Diogo Mendes de Vasconcelos. Importantes alterações no séc. XVIII/XIX. edifício rectangular com larga fachada de dois andares com nove janelas de sacada de ferro forjado, com frontões alternadamente curvos e rectilíneos. Riqueza decorativa no interior com azulejos. Repartição de espaços conforme a época - piso térreo utilitário, residência no andar nobre. O portal, encimado pelo escudo de armas, que dá entrada para a quinta é da segunda metade do séc. XVIII. A quinta é típica desse século, destacando-se um pequeno tanque com decoração de alvenaria e o jardim de buxo. Foi adquirido pela Câmara Municipal, funcionando aí o Serviço Sócio-Cultural, com os seguintes serviços abertos ao público: Biblioteca, Sala de Exposições Temporárias e o Posto de Turismo.
   
Fonte da Praça da República (Fontinha):
Mandada construir em 1556 pelo Duque de Bragança D. Teodósio I. Situada primitivamente noutro local do largo foi removida para o actual em meados do séc. XVII. Estilo renascença, é constituída por uma alpendrada em forma de cúpula dupla sustentada por três colunas, tudo em mármore de Estremoz. No interior os medalhões heráldicos dos Duques de Bragança (Armas de Portugal) e da Vila de Alter. As bicas e o tanque já não são da construção primitiva. Classificado como imóvel de interesse público.

Pelourinho: 
Construído no 1º. quartel do séc. XVI, estilo manuelino, composto de coluna torsa, com decoração vegetalista. Monumento Nacional.

Igreja Paroquial de Alter Pedroso: 

Fundada no séc. XV, dedicada a Nossa Senhora das Neves, alterada do séc. XVII. Interior de uma só nave, altar-mor em talha dourada, portal e torre de raiz medieval. No altar-mor, retábulas e imaginária. Trabalhos em massa decorando o interior do templo

               
Ponte de Vila Formosa: 
Construída pelos romanos nos finais do séc. I, início do séc. II D.C. sobre a Ribeira de Seda, na Estrada que liga Alter do Chão a Chança e Ponte de Sôr. Construída em grossa cantaria aparelhada e almofadada. Consta de 6 arcos iguais entre si e compostos nas frentes por trinta e três aduelas e cinco olhais em forma de pórtico. Monumento Nacional.

Gastronomia

A Gastronomia é variada e saborosa, senão vejamos: Sarapatel, Borrego com Arroz Amarelo (Açafrão), Perna de Borrego com Batatas Assadas, Costeletas de Borrego do Norte Alentejano, Arroz de pato, Pernil, Porco Assado no Forno, Vitela Assado, Ensopado de Borrego, Alhada de Cação. Migas Alentejanas.
Vasco Lopes da Gama

quinta-feira, 5 de maio de 2011

TER FÉ...

Ter fé é ACEITAR os desígnios de Deus ainda que não os entendamos, ainda que não nos agrade. Se tivéssemos a capacidade de ver o fim desde o princípio tal como Ele vê, então poderíamos compreender por que às vezes a nossa vida é conduzida por caminhos estranhos e contrários à nossa razão e aos nossos desejos.

Ter fé é DAR quando não temos, quando nós mesmo necessitamos. A fé sempre encontra algo valioso onde aparentemente não existe; pode fazer que brilhe o tesouro da generosidade face à pobreza e ao desamparo, enchendo de gratidão o que a recebe e o que a dá.

Ter fé é CRER quando é mais fácil ficar na dúvida. Se a chama da confiança em algo melhor se extingue em nós, então não há outro meio senão entregarmo-nos ao desânimo. A crença nas nossas bondades, possibilidades e talentos, tanto como aos nossos semelhantes, sendo a energia que move a vida fazendo grandes vencedores.

Ter fé é GUIAR a nossa vida não com os olhos, mas sim com o coração. A razão necessita de muitas evidências para arriscar-se, o coração necessita só de um raio de esperança. As coisas mais belas e grandes que a vida nos dá não se podem ver, nem sequer tocar, só se podem acariciar com o espírito.

Ter fé é LEVANTAR-SE quando se está caído. Os revezes e fracassos em qualquer momento da vida entristecem-nos, mas mais triste é ficarmos a lamentar-nos no chão frio da compaixão, acompanhados pela frustração e amargura.

Ter fé é ARRISCAR-SE na troca de um sonho, de um amor, de um ideal. Nada do que vale a pena nesta vida se pode conseguir sem esta dose de sacrifício, que implica desprender-nos de algo, ou de alguém, a fim de adquirir algo que melhore o nosso próprio mundo e o dos outros.

Ter fé é VER positivamente a vida para a frente. Não importa quanto incerto possa parecer o futuro, ou quanto doloroso tenha sido o passado. Quem tem fé faz do hoje um fundamento do amanhã e trata de vivê-lo de tal maneira que, quando fizer parte do seu passado, possa vivê-lo como uma grata recordação.

Ter fé é CONFIAR, porém confiar não somente nas coisas, mas sim no que é mais importante... nas pessoas. Muitos confiam no material, porém vivem relações vazias com os seus semelhantes. Certamente sempre haverá gente que traiu a nossa confiança; assim o que temos que fazer é seguir confiando, sendo mais cuidadosos com aqueles em quem confiamos.

Ter fé é BUSCAR o impossível: sorrir quando os dias se encontram nublados e os nossos olhos estão secos de tanto chorar. Ter fé é nunca deixar de ter um sorriso nos lábios, nem sequer quando se está triste, porque nunca sabemos quando o nosso sorriso pode dar luz e esperança à vida de alguém que se encontra em pior situação do que a nossa.

Ter fé é CONDUZIR-SE pelos caminhos da vida, da mesma forma que uma criança segura a mão de seu pai. É entregarmos os nossos problemas nas mãos de DEUS e nos lançarmos nos Seus braços antes de cair no desespero. Ter fé é descansarmos para que ELE nos carregue, em vez de carregarmos nós mesmos a nossa própria coleção de problemas, para que na nossa vida haja suficiente fé para enfrentar as situações difíceis, juntamente com a necessária humildade para aceitar o que não se pode mudar. 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Obrigado, Joaquim Pessoa!

Joaquim Pessoa

Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.

Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram-lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.

Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente capazes de comunicar com um vasto público. Como prova da sua sensibilidade atenta ao real e à actualidade, aqui deixo este seu texto:

"Obrigado, excelências.
 
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade 
de vivermos felizes e em paz. 
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar 
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem 
dignidade. 
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações. 
Obrigado por se orgulharem de nos tirar 
as coisas por que lutámos e às quais temos direito. 
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria. 
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero. 
Obrigado pela vossa mediocridade. 
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer. 
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber. 
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera. 
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias 
um dia menos interessante que o anterior. 
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar. 
Obrigado por nos darem em troca quase nada. 
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade. 
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade 
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço. 
E pelo vosso vergonhoso descaramento. 
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, 
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar. 
Obrigado por serem o que são. 
Obrigado por serem como são. 
Para que não sejamos também assim. 
E para que possamos reconhecer facilmente 

quem temos de rejeitar."

Autor: Joaquim Pessoa

sexta-feira, 29 de abril de 2011

50 anos de odisseia no espaço

Há 50 anos atrás, mais precisamente no dia 12 de abril de 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin, então com 27 anos, completava uma façanha inédita para a humanidade, dava início à corrida espacial e acirrava a rivalidade entre EUA e União Soviética. Há 50 anos, Yuri Gagarin, a bordo da nave Vostok 1, era o primeiro homem a entrar na órbita da Terra. O voo de 108 minutos no espaço de Yuri Gagarin (dando uma volta completa ao redor do planeta tendo proferido a famosa frase "A Terra é azul"), marcou um novo horizonte para a humanidade e, da noite para o dia, transformou um piloto de origem camponesa em herói.

Gagarin - astronauta que virou herói
Esta primeira grande aventura humana no espaço vem sendo marcada por homenagens em vários países. Em Londres, Inglaterra, uma estátua de Gagarin será instalada em julho na Trafalgar Square.

Recebido como herói nacional após desembarcar da sua cápsula, Gagarin continuou trabalhando para a agência espacial russa até 1968, quando faleceu no comando de um jato MiG.

Convirá aqui também fazer referência ao facto de que, em outubro de 1957, militares americanos captaram ruídos emitidos pelo satélite soviético Sputnik-1. Foi aí que eles perceberam que a corrida espacial já tinha começado. No início de 1958, o presidente Eisenhower reagiu a esta situação criando uma entidade civil controlada pelo governo e, em outubro de 1958, a Nasa iniciou as suas operações.  Foi assim,  com muita pressa,  que  surgiu a  mais  famosa  agência espacial do mundo.                                                                                                                    
Ainda em outubro de 1958, o primeiro projeto da Nasa, a sonda lunar americana Pioneer 1, desintegrou-se no espaço. Enquanto isso, em novembro, a cadela russa Kudriavka, da raça laika, tornava-se o primeiro ser vivo a viajar para fora do planeta.

Entretanto, o presidente John Kennedy, lançou o desafio de enviar um homem à Lua até o fim da década de 1960. Começava o projeto Apollo. Em 1967, durante um teste numa plataforma de lançamento, um incêndio na cápsula da Apollo 1, em terra, matou os três astronautas que a ocupavam. Mas a capacidade de reação da Nasa foi grande e, no dia 20 de julho de 1969, enquanto desembarcava em solo lunar, Neil Armstrong disse: “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”. Finalmente, os russos tinham ficado para trás.

A nova revolução tecnológica provocada pela Nasa surgiu no fim da década de 1970, com a criação dos vaivéns espaciais, veículos orbitais reutilizáveis que revolucionaram as viagens para além da Terra. Foram eles os responsáveis pelos mais recentes sucessos e desastres da agência. O primeiro marco negativo ocorreu em 1986, quando, 73 segundos após o lançamento, o vaivém espacial Challenger explodiu nos céus da Flórida e matou todos a bordo – seis astronautas e uma civil, a professora Sharon McAuliffe. Mais uma vez, a agência se recuperou, a ponto de, em abril de 1990, completar com sucesso a instalação em órbita do telescópio Hubble, que até hoje possibilita descobertas inatingíveis para observatórios terrestres.

Mas uma segunda tragédia aconteceu em janeiro de 2003, quando a nave Columbia se desintegrou durante a entrada na atmosfera e matou sete tripulantes. 

Enquanto tenta, de novo, recuperar-se, a Nasa pensa nos desafios futuros e em voltar à Lua até 2020.
Vasco Lopes da Gama

domingo, 17 de abril de 2011

Bom Dia!

Quando te levantaste, pela manhã, Eu já tinha preparado o sol para aquecer o teu dia, e o alimento para a tua nutrição. Sim, Eu preparei tudo isso, enquanto velava o teu sono, a tua família, a tua casa. Esperei pelo “Bom Dia”, benzendo-te e dirigindo-me uma oração, mas esqueceste-te de Mim! Parecias ter tanta pressa! O sol apareceu, as flores deram o seu perfume, a brisa da manhã acompanhou-te e tu nem pensaste que fui Eu que preparei tudo para ti!

Os teus familiares sorriram, os teus colegas cumprimentaram-te, trabalhaste, estudaste, viajaste, realizaste negócios, alcançaste vitórias, mas … não percebeste que Eu estava cooperando contigo e mais teria feito se Me tivesses pedido! Eu sei, correste tanto!...

Leste bastante, ouviste e viste muita coisa, mas não tiveste tempo de ler e ouvir a Minha Palavra. Quis falar contigo, mas não paraste para ouvir. Quis aconselhar-te, mas nem pensaste nessa possibilidade … Se Me ouvisses, se rezasses, tudo seria melhor na tua vida. Mais uma vez esqueceste-te de Mim … Esqueceste-te que Eu desejo a tua participação no Meu Reino, com a tua vida, o teu tempo, os teus talentos!

Findou o teu dia e voltaste para casa! Mandei a lua e as estrelas tornarem a noite mais bonita, para te lembrar o amor que tenho por ti!

Certamente, agora vais dizer-me, “obrigado” e “boa noite”! – Estás a ouvir? Que pena! … Já adormeceste! E passaste o dia sem te lembrares de Mim! Boa noite, dorme bem! Eu fico a velar por ti!

E quando, enfim, quiseres saber quem Eu Sou, pergunta ao riacho que murmura, ao pássaro que canta, à flor que desabrocha, à estrela que cintila, ao jovem que espera e ao ancião que recorda … Chamo-me AMOR, o remédio para todos os males. Eu sou Jesus!
(Anónimo !?)

domingo, 10 de abril de 2011

Quaresma – Um tempo de preparação para a Páscoa

A Quaresma, cuja prática data do século IV, vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa maior do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa.

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão e a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve aproximar-se de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazer uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos.

A Quaresma é um tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa, sendo tempo para nos arrependermos dos nossos pecados e de mudar algo em nós, para sermos melhores e podermos viver mais próximos de Cristo. É, pois, o período propício a um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para o acolhimento do Cristo Vivo e Ressuscitado, no Domingo de Páscoa.

A duração da  Quaresma  está  baseada no símbolo do número quarenta,  na Bíblia. Nesta, fala-se dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública.

E que devem fazer os cristãos no tempo da Quaresma? Por meio do Evangelho, proclamado na quarta-feira de cinzas, a Igreja católica propõe três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias da nossa vida deve o cristão buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que a justiça, a paz e o amor existam em toda a humanidade. Os cristãos devem, portanto, neste tempo, recolher-se em reflexão para se aproximarem de Deus.

A Quaresma é um tempo "forte" de oração, jejum e atenção aos necessitados, oferecendo a todo cristão a possibilidade de se preparar para a Páscoa, fazendo uma séria e profunda ponderação da sua própria vida, confrontando-a, de maneira especial, com a Palavra de Deus, que deve iluminar o caminho quotidiano dos fiéis.

Que o período quaresmal, em que a Liturgia da Igreja apresenta à nossa reflexão os grandes mistérios da salvação, seja vivido por todos nós numa atitude de penitência e de sacrifício, para nos prepararmos dignamente para o encontro pascal com Cristo. Vivamos, pois, sempre animados pelo altíssimo ideal proclamado por Jesus, cujo mandamento é: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.

Vasco Lopes da Gama

sábado, 2 de abril de 2011

Ser jornalista em Portugal

Até meados do século XIX, não houve jornalistas profissionais em Portugal. Havia, isso sim, redatores de jornais, preocupados em historiografar o mundo, em apresentar e analisar as novas ideias que surgiam ou ainda em deixar uma marca na política ou nas Belas Letras. Vários periódicos viviam de um só homem, proprietário, redator e, por vezes, até mesmo impressor.

Mas, a partir de 1830, a situação modificou-se. Os jornais começaram a integrar mais colaboradores, surgindo as funções de editor e de chefe de redação. Para além disso, a qualidade do jornalismo português elevou-se, devido à colaboração de intelectuais e escritores. No entanto, a transformação dos "cidadãos jornalistas" e dos "políticos e escritores de jornal" em jornalistas profissionais, foi lenta e gradual.

Com os progressos técnicos e o melhoramento dos meios de comunicação e dos transportes, os jornais utilizam processos cada vez mais rápidos e seguros para a obtenção de notícias. O noticiário, ao mesmo tempo que alcança maior desenvolvimento, ganha exatidão e rigor.

No final do século XIX, a industrialização do jornalismo português gerou a necessidade de aparição de um profissional com um novo perfil. Os meios jornalísticos industrializados queriam repórteres polivalentes que se devotassem a tempo inteiro ao jornalismo. Em consequência, os jornalistas começaram a adotar critérios profissionais de elaboração da notícia, abandonando um estilo pessoal, emotivo ou literário.

À medida que o jornalismo se profissionalizou, os jornalistas melhoraram o seu estatuto social e autonomizaram-se como classe, cultivando um conjunto de conhecimentos e competências específicos, bem como normas de conduta que, ainda hoje, expressam o conjunto de valores que sustentam a sua ideologia e cultura profissionais.

É a partir da profissionalização do jornalismo, da existência de uma classe profissional com direitos e deveres, cultura, ideologia e competências específicas, que se pode falar desta actividade tal como ela é hoje concebida.

No entanto, o jornalismo em Portugal tem vindo a sofrer uma degradação acentuada ao longo dos tempos. Tratando-se de um produto caro, a lógica empresarial dos grupos económicos em que os órgãos de comunicação social estão inseridos, tem levado a cortes de custos. Estes cortes são feitos em várias áreas, muitas delas essenciais a nível jornalístico, mas tidas como prescindíveis a nível das administrações, como por exemplo: aos jornalistas que são mais bem pagos, às vezes, é melhor deixá-los sair, ou dar-lhes um subsídio para eles se reformarem.

Hoje, é necessário passar por um estágio curricular para terminar uma licenciatura em Comunicação Social ou em Jornalismo e por um estágio profissional para obter a carteira de jornalista.

O estágio curricular serve para que os estagiários possam tomar contacto com a realidade prática daquilo que aprendem nas faculdades.

Contactar com as rotinas, fazer o trabalho que qualquer outro profissional já “encartado”, faz o estagiário dar a cara e o nome por um órgão de comunicação, privando de perto com as situações características do jornalismo, tais como: contactar com as fontes, redigir artigos, ir a conferências, elaborar notícias, concluir colunas de texto e estabelecer contactos com os profissionais jornalistas mais experientes e sabedores. Estas situações são os pontos positivos dum estágio para uma licenciatura, já que possibilitam preparar, de uma melhor forma, o estagiário para o mercado de trabalho que o espera.

No entanto, cremos que os estágios também terão um lado negativo. Muitas vezes, os estagiários são, digamos, “pau para toda a obra”. Muitas vezes fazem tudo nas redacções menos aquilo para o que vão, para além de se confrontarem com estágios precários, não remunerados, onde o seu trabalho é muitas vezes exploratório e pouco integrador.

Presentemente, grande parte das redacções em Portugal sobrevive apenas à custa de estagiários curriculares e, em certa medida, profissionais. Esta situação é mais frequente nos órgãos de comunicação social de menor dimensão. No entanto, não é exclusivo destes meios de comunicação social.

Se os jornalistas recém-formados se deparam sistematicamente com enormes dificuldades em entrar no mercado de trabalho, isso é sinónimo de que o produto jornalístico se tem vindo progressivamente a degradar.

Será que o futuro do jornalismo é o “freelancer”?

Na maior parte dos casos, em Portugal, não se trata de uma escolha, mas de uma imposição do sistema. Muitos dos jornalistas vêem-se forçados a ser “freelancers”, simplesmente porque não têm onde trabalhar.

A maioria dos “freelancers”, debate-se com dificuldades altamente desmotivadoras, uma vez que financiam as peças por sua conta e risco, sem garantia alguma de que sejam compradas e, mesmo quando são, as empresas acabam por pagar quantias irrisórias, cujos prazos de pagamento, nalguns casos, atingem vários meses.

Em Portugal, tal como noutras profissões, há também vários jornalistas a trabalharem há muitos anos a recibos verdes. O recibo verde significa estar a trabalhar temporariamente para um órgão de comunicação, o que equivale a estar num limbo: não estando integrado no quadro nem sendo “freelancer”, porque não se deixa de estar preso a vínculo laboral precário.

Atualmente, mais do que nunca, o jornalismo é visto como uma das profissões mais complexas. Por um lado, há quem o faz por gosto, mas, por outro, é uma profissão onde é difícil ser-se fiel a si próprio.

Infelizmente, o jornalista, tem quase sempre de passar as notícias e a informação da forma como querem que elas sejam passadas e transmitidas, e não da forma como ele gostaria e quereria passá-las. Daí que, em muitos casos, a imparcialidade que deveria existir, não há.

Vasco Lopes da Gama

sábado, 12 de março de 2011

Ser voluntário é ser útil

No dia 27 de Novembro de 2009, o Conselho de Ministros da U.E., declarou oficialmente 2011, Ano Europeu das Actividades Voluntárias que Promovam uma Cidadania Activa.

Este Ano Europeu tem por objectivo geral  incentivar e apoiar os esforços desenvolvidos pela Comunidade, pelos Estados-Membros e pelas autoridades locais e regionais, tendo em vista criar condições na sociedade civil propícias ao voluntariado na U.E. e aumentar a visibilidade das actividades de voluntariado na U.E..

O Ano Europeu de Voluntariado começou oficialmente no mês de dezembro p.p., mas cada país europeu marcou o seu ritmo. Em Portugal, o ano começou, oficialmente, em Lisboa, no dia 3 de fevereiro, com uma feira de voluntariado – «A volta do voluntariado».

É interessante o facto de o Ano Europeu do Voluntariado suceder ao ano de combate à pobreza e exclusão social.

Quando assumirmos o compromisso de sermos voluntários, para além de solidários, estaremos também no bom caminho para resolver grande parte dos problemas sociais, sobretudo dos que se prendem com a exclusão social.

Segundo dados de 2001, revelados pelo Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, entre ativos e “esporádicos”, Portugal tinha cerca de um milhão e meio de voluntários distribuídos por várias áreas.

É da palavra vontade, com origem no latim "voluntas", que deriva a palavra voluntariado.

Mas o que é ser voluntário?

O conceito difundido pela Organização das Nações Unidas (ONU): "voluntário é o jovem ou o adulto que, devido ao seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social ou outros campos."

Voluntário é aquele que age sem que seja induzido a tal, mas pela própria vontade, por motivação intrínseca.

Por outras palavras, ser voluntário é ser útil, deliberadamente, sem esperar recompensas nem compensações. Ser voluntário é, por vezes, uma bênção do céu para quem beneficia.

Nalguns países o voluntariado é uma prática corrente, um princípio, como que uma obrigação individual e livremente assumida. É uma espécie de afirmação de cidadania plena e responsável. Perante a grave crise social em que estamos mergulhados, não podemos continuar a ser um país de cidadãos complexados, onde ninguém quer ser "criado" de ninguém e onde quase ninguém está para se incomodar com quem não conhece (a não ser que se apareça na televisão e nos mais diversos meios de comunicação). Jovens, adultos, reformados ou desempregados, poucos são aqueles que assumem o voluntariado como uma prática privilegiada de realização pessoal e social.

Do ponto de vista pessoal, ser voluntário é descobrir que não vivemos sozinhos neste mundo e que as pessoas (nós e eles) têm vida própria e suas próprias vontades e necessidades. Ser voluntário é sentir a vontade de ajudar os outros, principalmente os mais necessitados. É ver que, mesmo tendo pouco, sempre temos alguma coisa que podemos dar.

Do ponto de vista da comunidade, ser voluntário é ser humilde, ser abnegado, não ser egocêntrico e ter uma grande vontade e disposição para ajudar o próximo. É ser carismático, um ser especial que atua para ajudar a melhorar a qualidade de vida da comunidade. É ser um agente de transformações que, mesmo fazendo um trabalho de formiguinha (que não aparece), acredita e consegue fazer com que o outro suba na vida, saia do "buraco" em que vive e tenha uma vida honrada de cidadão pleno.

Ser voluntário é ter a capacidade de prestar um serviço profissional e não esperar pelo seu pagamento (em dinheiro). É ficar feliz com a felicidade dos outros e saber que ajudou um pouco para que isso acontecesse. É ser solidário e compreender o valor da solidariedade humana. Não é tapar buracos e compensar carências. É contribuir, de modo contínuo e duradouro, para ajudar quem necessita e melhorar a qualidade de vida da comunidade. Uma oportunidade de fazer amigos, viver novas experiências, conhecer novas realidades. É ensinamento e aprendizagem.

Ser voluntário é gratificante e fácil, basta ter comprometimento e vontade.

Vasco Lopes da Gama

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A culpa é da crise!

Estamos numa época de depressão e de recessão, sem termos a menor ideia do tempo que vai durar e da dureza que vai ter.
Entrevistas, mesas redondas, conferências, colóquios, gráficos, números e diagnósticos, são apresentados quase todos os dias sobre a crise económica e financeira atual. Mas o problema é que ninguém aponta saídas e soluções para o "buraco" em que nos encontramos.
Todos repetem as já estafadas necessidades de reduzir os gastos do estado e aumentar as exportações. Pois é, mas como e quando?
Ao contrário das anteriores mentiras sobre o "oásis", do país onde a crise acabou, do país em recuperação económica, do país das grandes obras e dos grandes investimentos ─ a verdade é que começamos a entender que Portugal está descapitalizado e falido, sem uma banca sólida e de confiança, sem riqueza, sem crescimento e sem perspetivas.
Parece que todos nós levamos tempo para nos consciencializarmos das coisas e o princípio leninista de que uma mentira repetida muitas vezes, passa a verdade, tem continuado a fazer escola.
A verdadeira e principal questão não é a economia, nem as finanças. A questão é que estamos perante uma dramática crise política. Dizendo melhor, nós temos problemas económicos e financeiros, mas eles derivam e são consequência de uma profunda crise política e dos políticos.
A herança desta crise será para as próximas gerações endividadas. A geração dos nossos filhos, que em nada contribuíram para esta crise é que terão de pagá-la com os seus impostos e taxas.
Não é difícil acreditar e até aceitar a ideia de que a maioria das asneiras feitas, terá sido feita com boas intenções, mas, como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio!... Por isso não se podem retirar responsabilidades àqueles que as cometeram.
A crise política em que estamos mergulhados assenta em três vertentes: a qualidade do sistema político, o modo de funcionamento do sistema político e a qualidade dos políticos.
Quanto à economia, ela não deve ser encarada como um fim em si mesmo, devendo antes derivar de uma política e ser instrumento de uma estratégia. Por outro lado, o sistema financeiro deve pautar o seu objetivo fundamental no apoio à economia e, ao mesmo tempo, procurar dar resposta às preocupações sociais.
Por tudo isto é compreensível a dificuldade dos economistas apresentarem soluções para o nosso futuro, já que tinham que entrar por opções políticas com que não se querem comprometer ─ sendo certo que só homens honestos e competentes poderão fazer o país sair da difícil situação em que estamos mergulhados.
Mas será que isso só vai acontecer quando for demasiado tarde?
Vasco Lopes da Gama

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ano Novo, Vida Nova!


Após ausência de algumas semanas, volto hoje a este espaço de comunicação e partilha de algumas das minhas reflexões, esperando retomá-lo com uma regular continuidade.
Apesar de estarmos no início do mês de fevereiro e sendo este o meu primeiro tema deste ano, tomei a liberdade de partilhar convosco a minha reflexão sobre a famosa frase feita, que se repete em todos os finais e início de ano ▬ “Ano Novo, Vida Nova!”.
De facto, quem nunca ouviu ou disse essa frase? Trata-se de um lugar-comum que nos traz esperança, sonhos, desejos, aspirações… Mas alguém já parou para pensar no seu real sentido? No fundo trata-se duma visão nada romântica desse slogan inventado por algum ser humano insatisfeito com o ano que passou.
Todos os anos dizemos que no próximo ano uma vida nova recomeçará. É como se nossas vidas fossem cronómetros de 12 meses, que passam a zero no final de dezembro e que janeiro é colocado como o mês oficial da mudança, o mês oficial da esperança, mas, todos, continuamos com a mesma vida com que, supostamente, acabámos no ano anterior.
O ano que se inicia é novo, verdade! Mas nossa vida é a mesma! Normalmente, no primeiro dia útil, após o período festivo, voltamos para as nossas mesmas cadeiras, os nossos mesmos escritórios, os nossos mesmos empregos. Continuamos com o mesmo carro, o mesmo apartamento, os mesmos amigos. Temos as mesmas manias, a mesma personalidade, os mesmos problemas. Onde está então, a tal da Vida Nova?
Trata-se dum modo de falar. Não digo que é mau ter esperança, pelo contrário, ela traz o sonho de um futuro melhor, dá-nos forças para seguir em frente. A esperança não deve aparecer somente à meia-noite do dia 31 de dezembro, mas sim acompanhar-nos em todos os dias do ano.
Como seria bom que o novo ano de 2011 nos trouxesse realmente uma vida nova. As crises que atravessamos, a internacional e a interna, fossem aproveitadas para mudarmos a nossa maneira de ver as coisas, o nosso entendimento da política e dos políticos, o nosso olhar para o estado de Portugal. A crise interna, que para além de económica é acima de tudo de valores, pudesse ser mais facilmente ultrapassada com mais e melhor educação, com mais e melhor ensino, com mais e melhor cultura, e também com mais e melhor democracia.
Há dez anos que o nosso país não cresce e quase todos os números são maus, todos os nossos indicadores estão no fundo da Europa. Temos por isso de mudar o rumo que os portugueses estão a levar, e isso está nas nossas mãos. Com o bater das doze badaladas da meia-noite, no último suspiro do ano velho, as esperanças renovam-se e os desejos intensificam-se. Comem-se as passas e pedem-se coisas, em voz baixa, quase em segredo, com o desejo de que o novo ano venha a ser muito diferente, para melhor, do que acaba de falecer, e nos venha trazer tudo o que desejamos e pelo que andamos a lutar já há muito tempo.
Quantos de nós, naquela altura do ano, não decide mudar alguma coisa na sua vida? Deixar de fumar; fazer dieta e perder peso, mudar de emprego,  ... É um rol interminável de projectos que, na maior parte dos casos, já foram esquecidos ao fim de alguns dias. Hoje em dia a vida decorre a uma velocidade tal que nós esperamos, desejamos, exigimos resultados rápidos e esquecemo-nos de que há coisas que levam o seu tempo a ser concretizadas.
O nascer dum novo ano traz sempre uma nova visão da vida, repleta de boas intenções e presságios. Para trás ficam o Ano Velho, as deceções e as recordações das desgraças.
Neste novo ano, quero que, dentro de mim, só existam pensamentos positivos, coisa que eu sei ser utópica, mas que quero tentar vir a ter diariamente. O dia a dia do meu país, e o meu próprio, não mo vão deixar, com os problemas que não vão deixar de continuar a existir, e com os outros que nos virão a ser criados todos os dias.
No entanto, não nos devemos esquecer que os pensamentos positivos são meio caminho andado para obter sucesso. È necessário e importante aprendermos a rir e a acreditar em nós próprios e nas nossas capacidades. E, sobretudo, nunca devemos perder a esperança, pois ela dá-nos uma força extraordinária, tornando-nos capazes de mover montanhas e conseguirmos a realização dos nossos desejos.
Um bom Ano de 2011 para todos!
Vasco Lopes da Gama

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Esperança e Confiança no Futuro


Há cada vez mais pessoas desiludidas, sem esperança, sem paz, desesperadas, achando que não há solução para as suas angústias e problemas.

Existe um ditado popular que diz que a esperança é a última a morrer. Mas, na verdade, o ritmo acelarado da vida, as obrigações de todos os tipos e as múltiplas atenções impostas pelo ambiente social pervertem, de certo modo, o sentimento que antes caracterizou a vida das famílias, quando não havia tantas pressões para cumprir as exigências do viver diário.

O fato é que existe, por toda a parte, um nervosismo e uma ansiedade coletiva, configurados numa série de curiosos aspectos, e que custa muito a acalmar. Diríamos que, apenas é satisfeita uma necessidade, uma exigência ou um desejo, surgem de imediato outros que, com maior insistência, exigem ser atendidos e resolvidos, muitas vezes em prejuízo da justa medida das conveniências e do bom senso.

A esperança de muitos está fundamentada nos prazeres do mundo: nos bens desta vida, na vaidade da vida, na fama, no sucesso, nas pessoas, no dinheiro e riqueza, no Ter e não no Ser.

A esperança é o sentimento que leva o homem a olhar para o futuro, considerando-o portador de condições melhores que as oferecidas pelo presente, por forma que a luta pela vida e os sofrimentos sejam enfrentados como contingências passageiras, na marcha para um fim mais alto e de maior valor.

A esperança nasce do confronto que o eu estabelece entre o que é - realidade atual; o que foi - o passado; e o que poderá ser − o futuro, a possibilidade. Por isto, a esperança não encerra uma atitude passiva − essa é própria da fé. A esperança implica atividade, extroversão, pois aquele que tem esperança, tem-na para si e para todos. Enquanto vivência ela pode ser individual mas, na sua essência, ela é colectiva. Arriscamos mesmo a dizer que ela é constitutiva da essência do ser humano.

A esperança pode também definir-se como confiança no cumprimento de um desejo ou de uma expectativa. Ela faz parte do nosso dia-a-dia – esperança para a nossa vida, para a nossa família e para a sociedade.

 

Hoje é necessário e imperioso que volte a renascer a confiança, o entusiasmo e a fé no futuro, e, para que isso aconteça, será necessário trabalhar intensa e incansavelmente, a fim de conquistar a paz social, ainda que com sacrifício, sem esquecer a compreensão extraída de todos os acontecimentos passados, para se poder assim reformar a conduta da nossa sociedade, fazendo-o sem receios nem desconfianças, com nobreza e dignidade, pelo caminho que cada um deve percorrer desde o nascimento até à morte.

Atualmente, pensar em confiar no futuro, parece impossível para a maioria das pessoas. A observação da conduta do ser humano, diante das mais variadas situações que se apresentam na vida, faz pensar que o destino da nossa sociedade, é muito preocupante, principalmente no aspecto moral.

Perante isto, interrogamo-nos: como confiar no futuro? Eu confio no meu próprio futuro?

Para o efeito tomemos, como exemplo, o futuro profissional. Nesse caso, há confiança quando a pessoa estuda e se capacita para realizar um bom trabalho e ser bem remunerada pelos serviços prestados. Mas isso não é o bastante para que o indivíduo se sinta plenamente confiante no futuro da sua vida. A profissão corresponde a uma parte importante dela, mas não é tudo. Para que haja equilíbrio, é lógico a necessidade de capacitação em todas as áreas da vida.

Para confiar no futuro e encaminhar a vida de forma mais digna, com bons pensamentos, sentimentos e moral elevada, que devemos fazer? Assim como, na profissão, como estudar e nos capacitarmos para que se confie plenamente no futuro em todos os aspectos da vida?

Em primeiro lugar é necessário fazer uma análise sincera do que se é. Devemos identificar se na nossa mente existem pensamentos que não estão de acordo com os propósitos mais elevados que queremos atingir, assim como os pensamentos que limitam a nossa vida e a nossa conduta, escravizando-nos e tirando-nos a confiança que temos em nós próprios. A partir daí, é possível estudar esses pensamentos, encontrar suas causas, planear estratégias e esforçarmo-nos em lutar contra eles, até conseguirmos enfraquecê-los e assim atuarmos mais livremente. Ainda que se manifestem outras vezes, não impedirão mais que confiemos no futuro, porque este saberá que pode ser diferente do que é superando-se completamente.

A confiança no futuro depende da capacitação mental que cada um adquire com o estudo e as experiências de vida, procurando sentir-se cada vez mais apto em realizar o que se propõe.

Aos mais jovens, dizem os mais velhos, alguns dos políticos, dos intelectuais e dos professores: “Vós, jovens, sois a esperança do futuro!”.  Mas para que isto seja verdade devemos, eventualmente e, primeiro lugar, questionar: Qual o exemplo que os adultos estão a dar às novas gerações? Que valores lhes transmitimos? Os valores da intriga, da inveja e da mediocridade cultural, social e ética?

Não há dúvida de que é nos jovens que teremos a esperança de um futuro melhor, quer para os outros quer para nós próprios. Será aos jovens, que caberá a concretização dessa esperança e que ninguém ponha em dúvida de que eles serão capazes de construir uma sociedade mais justa, equilibrada e otimista para todos.

Mas confiar no futuro consiste também e acima de tudo, em confiar em nós próprios. Na verdade, o que a nossa sociedade precisa, é de verdadeiros líderes, bons modelos, comprometidos com a verdade, com a dignidade, o respeito e cujo objetivo seja a ela servir.


Vasco Lopes da Gama