sexta-feira, 29 de abril de 2011

50 anos de odisseia no espaço

Há 50 anos atrás, mais precisamente no dia 12 de abril de 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin, então com 27 anos, completava uma façanha inédita para a humanidade, dava início à corrida espacial e acirrava a rivalidade entre EUA e União Soviética. Há 50 anos, Yuri Gagarin, a bordo da nave Vostok 1, era o primeiro homem a entrar na órbita da Terra. O voo de 108 minutos no espaço de Yuri Gagarin (dando uma volta completa ao redor do planeta tendo proferido a famosa frase "A Terra é azul"), marcou um novo horizonte para a humanidade e, da noite para o dia, transformou um piloto de origem camponesa em herói.

Gagarin - astronauta que virou herói
Esta primeira grande aventura humana no espaço vem sendo marcada por homenagens em vários países. Em Londres, Inglaterra, uma estátua de Gagarin será instalada em julho na Trafalgar Square.

Recebido como herói nacional após desembarcar da sua cápsula, Gagarin continuou trabalhando para a agência espacial russa até 1968, quando faleceu no comando de um jato MiG.

Convirá aqui também fazer referência ao facto de que, em outubro de 1957, militares americanos captaram ruídos emitidos pelo satélite soviético Sputnik-1. Foi aí que eles perceberam que a corrida espacial já tinha começado. No início de 1958, o presidente Eisenhower reagiu a esta situação criando uma entidade civil controlada pelo governo e, em outubro de 1958, a Nasa iniciou as suas operações.  Foi assim,  com muita pressa,  que  surgiu a  mais  famosa  agência espacial do mundo.                                                                                                                    
Ainda em outubro de 1958, o primeiro projeto da Nasa, a sonda lunar americana Pioneer 1, desintegrou-se no espaço. Enquanto isso, em novembro, a cadela russa Kudriavka, da raça laika, tornava-se o primeiro ser vivo a viajar para fora do planeta.

Entretanto, o presidente John Kennedy, lançou o desafio de enviar um homem à Lua até o fim da década de 1960. Começava o projeto Apollo. Em 1967, durante um teste numa plataforma de lançamento, um incêndio na cápsula da Apollo 1, em terra, matou os três astronautas que a ocupavam. Mas a capacidade de reação da Nasa foi grande e, no dia 20 de julho de 1969, enquanto desembarcava em solo lunar, Neil Armstrong disse: “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”. Finalmente, os russos tinham ficado para trás.

A nova revolução tecnológica provocada pela Nasa surgiu no fim da década de 1970, com a criação dos vaivéns espaciais, veículos orbitais reutilizáveis que revolucionaram as viagens para além da Terra. Foram eles os responsáveis pelos mais recentes sucessos e desastres da agência. O primeiro marco negativo ocorreu em 1986, quando, 73 segundos após o lançamento, o vaivém espacial Challenger explodiu nos céus da Flórida e matou todos a bordo – seis astronautas e uma civil, a professora Sharon McAuliffe. Mais uma vez, a agência se recuperou, a ponto de, em abril de 1990, completar com sucesso a instalação em órbita do telescópio Hubble, que até hoje possibilita descobertas inatingíveis para observatórios terrestres.

Mas uma segunda tragédia aconteceu em janeiro de 2003, quando a nave Columbia se desintegrou durante a entrada na atmosfera e matou sete tripulantes. 

Enquanto tenta, de novo, recuperar-se, a Nasa pensa nos desafios futuros e em voltar à Lua até 2020.
Vasco Lopes da Gama

domingo, 17 de abril de 2011

Bom Dia!

Quando te levantaste, pela manhã, Eu já tinha preparado o sol para aquecer o teu dia, e o alimento para a tua nutrição. Sim, Eu preparei tudo isso, enquanto velava o teu sono, a tua família, a tua casa. Esperei pelo “Bom Dia”, benzendo-te e dirigindo-me uma oração, mas esqueceste-te de Mim! Parecias ter tanta pressa! O sol apareceu, as flores deram o seu perfume, a brisa da manhã acompanhou-te e tu nem pensaste que fui Eu que preparei tudo para ti!

Os teus familiares sorriram, os teus colegas cumprimentaram-te, trabalhaste, estudaste, viajaste, realizaste negócios, alcançaste vitórias, mas … não percebeste que Eu estava cooperando contigo e mais teria feito se Me tivesses pedido! Eu sei, correste tanto!...

Leste bastante, ouviste e viste muita coisa, mas não tiveste tempo de ler e ouvir a Minha Palavra. Quis falar contigo, mas não paraste para ouvir. Quis aconselhar-te, mas nem pensaste nessa possibilidade … Se Me ouvisses, se rezasses, tudo seria melhor na tua vida. Mais uma vez esqueceste-te de Mim … Esqueceste-te que Eu desejo a tua participação no Meu Reino, com a tua vida, o teu tempo, os teus talentos!

Findou o teu dia e voltaste para casa! Mandei a lua e as estrelas tornarem a noite mais bonita, para te lembrar o amor que tenho por ti!

Certamente, agora vais dizer-me, “obrigado” e “boa noite”! – Estás a ouvir? Que pena! … Já adormeceste! E passaste o dia sem te lembrares de Mim! Boa noite, dorme bem! Eu fico a velar por ti!

E quando, enfim, quiseres saber quem Eu Sou, pergunta ao riacho que murmura, ao pássaro que canta, à flor que desabrocha, à estrela que cintila, ao jovem que espera e ao ancião que recorda … Chamo-me AMOR, o remédio para todos os males. Eu sou Jesus!
(Anónimo !?)

domingo, 10 de abril de 2011

Quaresma – Um tempo de preparação para a Páscoa

A Quaresma, cuja prática data do século IV, vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa maior do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa.

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão e a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve aproximar-se de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazer uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos.

A Quaresma é um tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa, sendo tempo para nos arrependermos dos nossos pecados e de mudar algo em nós, para sermos melhores e podermos viver mais próximos de Cristo. É, pois, o período propício a um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para o acolhimento do Cristo Vivo e Ressuscitado, no Domingo de Páscoa.

A duração da  Quaresma  está  baseada no símbolo do número quarenta,  na Bíblia. Nesta, fala-se dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública.

E que devem fazer os cristãos no tempo da Quaresma? Por meio do Evangelho, proclamado na quarta-feira de cinzas, a Igreja católica propõe três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias da nossa vida deve o cristão buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que a justiça, a paz e o amor existam em toda a humanidade. Os cristãos devem, portanto, neste tempo, recolher-se em reflexão para se aproximarem de Deus.

A Quaresma é um tempo "forte" de oração, jejum e atenção aos necessitados, oferecendo a todo cristão a possibilidade de se preparar para a Páscoa, fazendo uma séria e profunda ponderação da sua própria vida, confrontando-a, de maneira especial, com a Palavra de Deus, que deve iluminar o caminho quotidiano dos fiéis.

Que o período quaresmal, em que a Liturgia da Igreja apresenta à nossa reflexão os grandes mistérios da salvação, seja vivido por todos nós numa atitude de penitência e de sacrifício, para nos prepararmos dignamente para o encontro pascal com Cristo. Vivamos, pois, sempre animados pelo altíssimo ideal proclamado por Jesus, cujo mandamento é: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.

Vasco Lopes da Gama

sábado, 2 de abril de 2011

Ser jornalista em Portugal

Até meados do século XIX, não houve jornalistas profissionais em Portugal. Havia, isso sim, redatores de jornais, preocupados em historiografar o mundo, em apresentar e analisar as novas ideias que surgiam ou ainda em deixar uma marca na política ou nas Belas Letras. Vários periódicos viviam de um só homem, proprietário, redator e, por vezes, até mesmo impressor.

Mas, a partir de 1830, a situação modificou-se. Os jornais começaram a integrar mais colaboradores, surgindo as funções de editor e de chefe de redação. Para além disso, a qualidade do jornalismo português elevou-se, devido à colaboração de intelectuais e escritores. No entanto, a transformação dos "cidadãos jornalistas" e dos "políticos e escritores de jornal" em jornalistas profissionais, foi lenta e gradual.

Com os progressos técnicos e o melhoramento dos meios de comunicação e dos transportes, os jornais utilizam processos cada vez mais rápidos e seguros para a obtenção de notícias. O noticiário, ao mesmo tempo que alcança maior desenvolvimento, ganha exatidão e rigor.

No final do século XIX, a industrialização do jornalismo português gerou a necessidade de aparição de um profissional com um novo perfil. Os meios jornalísticos industrializados queriam repórteres polivalentes que se devotassem a tempo inteiro ao jornalismo. Em consequência, os jornalistas começaram a adotar critérios profissionais de elaboração da notícia, abandonando um estilo pessoal, emotivo ou literário.

À medida que o jornalismo se profissionalizou, os jornalistas melhoraram o seu estatuto social e autonomizaram-se como classe, cultivando um conjunto de conhecimentos e competências específicos, bem como normas de conduta que, ainda hoje, expressam o conjunto de valores que sustentam a sua ideologia e cultura profissionais.

É a partir da profissionalização do jornalismo, da existência de uma classe profissional com direitos e deveres, cultura, ideologia e competências específicas, que se pode falar desta actividade tal como ela é hoje concebida.

No entanto, o jornalismo em Portugal tem vindo a sofrer uma degradação acentuada ao longo dos tempos. Tratando-se de um produto caro, a lógica empresarial dos grupos económicos em que os órgãos de comunicação social estão inseridos, tem levado a cortes de custos. Estes cortes são feitos em várias áreas, muitas delas essenciais a nível jornalístico, mas tidas como prescindíveis a nível das administrações, como por exemplo: aos jornalistas que são mais bem pagos, às vezes, é melhor deixá-los sair, ou dar-lhes um subsídio para eles se reformarem.

Hoje, é necessário passar por um estágio curricular para terminar uma licenciatura em Comunicação Social ou em Jornalismo e por um estágio profissional para obter a carteira de jornalista.

O estágio curricular serve para que os estagiários possam tomar contacto com a realidade prática daquilo que aprendem nas faculdades.

Contactar com as rotinas, fazer o trabalho que qualquer outro profissional já “encartado”, faz o estagiário dar a cara e o nome por um órgão de comunicação, privando de perto com as situações características do jornalismo, tais como: contactar com as fontes, redigir artigos, ir a conferências, elaborar notícias, concluir colunas de texto e estabelecer contactos com os profissionais jornalistas mais experientes e sabedores. Estas situações são os pontos positivos dum estágio para uma licenciatura, já que possibilitam preparar, de uma melhor forma, o estagiário para o mercado de trabalho que o espera.

No entanto, cremos que os estágios também terão um lado negativo. Muitas vezes, os estagiários são, digamos, “pau para toda a obra”. Muitas vezes fazem tudo nas redacções menos aquilo para o que vão, para além de se confrontarem com estágios precários, não remunerados, onde o seu trabalho é muitas vezes exploratório e pouco integrador.

Presentemente, grande parte das redacções em Portugal sobrevive apenas à custa de estagiários curriculares e, em certa medida, profissionais. Esta situação é mais frequente nos órgãos de comunicação social de menor dimensão. No entanto, não é exclusivo destes meios de comunicação social.

Se os jornalistas recém-formados se deparam sistematicamente com enormes dificuldades em entrar no mercado de trabalho, isso é sinónimo de que o produto jornalístico se tem vindo progressivamente a degradar.

Será que o futuro do jornalismo é o “freelancer”?

Na maior parte dos casos, em Portugal, não se trata de uma escolha, mas de uma imposição do sistema. Muitos dos jornalistas vêem-se forçados a ser “freelancers”, simplesmente porque não têm onde trabalhar.

A maioria dos “freelancers”, debate-se com dificuldades altamente desmotivadoras, uma vez que financiam as peças por sua conta e risco, sem garantia alguma de que sejam compradas e, mesmo quando são, as empresas acabam por pagar quantias irrisórias, cujos prazos de pagamento, nalguns casos, atingem vários meses.

Em Portugal, tal como noutras profissões, há também vários jornalistas a trabalharem há muitos anos a recibos verdes. O recibo verde significa estar a trabalhar temporariamente para um órgão de comunicação, o que equivale a estar num limbo: não estando integrado no quadro nem sendo “freelancer”, porque não se deixa de estar preso a vínculo laboral precário.

Atualmente, mais do que nunca, o jornalismo é visto como uma das profissões mais complexas. Por um lado, há quem o faz por gosto, mas, por outro, é uma profissão onde é difícil ser-se fiel a si próprio.

Infelizmente, o jornalista, tem quase sempre de passar as notícias e a informação da forma como querem que elas sejam passadas e transmitidas, e não da forma como ele gostaria e quereria passá-las. Daí que, em muitos casos, a imparcialidade que deveria existir, não há.

Vasco Lopes da Gama

sábado, 12 de março de 2011

Ser voluntário é ser útil

No dia 27 de Novembro de 2009, o Conselho de Ministros da U.E., declarou oficialmente 2011, Ano Europeu das Actividades Voluntárias que Promovam uma Cidadania Activa.

Este Ano Europeu tem por objectivo geral  incentivar e apoiar os esforços desenvolvidos pela Comunidade, pelos Estados-Membros e pelas autoridades locais e regionais, tendo em vista criar condições na sociedade civil propícias ao voluntariado na U.E. e aumentar a visibilidade das actividades de voluntariado na U.E..

O Ano Europeu de Voluntariado começou oficialmente no mês de dezembro p.p., mas cada país europeu marcou o seu ritmo. Em Portugal, o ano começou, oficialmente, em Lisboa, no dia 3 de fevereiro, com uma feira de voluntariado – «A volta do voluntariado».

É interessante o facto de o Ano Europeu do Voluntariado suceder ao ano de combate à pobreza e exclusão social.

Quando assumirmos o compromisso de sermos voluntários, para além de solidários, estaremos também no bom caminho para resolver grande parte dos problemas sociais, sobretudo dos que se prendem com a exclusão social.

Segundo dados de 2001, revelados pelo Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, entre ativos e “esporádicos”, Portugal tinha cerca de um milhão e meio de voluntários distribuídos por várias áreas.

É da palavra vontade, com origem no latim "voluntas", que deriva a palavra voluntariado.

Mas o que é ser voluntário?

O conceito difundido pela Organização das Nações Unidas (ONU): "voluntário é o jovem ou o adulto que, devido ao seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social ou outros campos."

Voluntário é aquele que age sem que seja induzido a tal, mas pela própria vontade, por motivação intrínseca.

Por outras palavras, ser voluntário é ser útil, deliberadamente, sem esperar recompensas nem compensações. Ser voluntário é, por vezes, uma bênção do céu para quem beneficia.

Nalguns países o voluntariado é uma prática corrente, um princípio, como que uma obrigação individual e livremente assumida. É uma espécie de afirmação de cidadania plena e responsável. Perante a grave crise social em que estamos mergulhados, não podemos continuar a ser um país de cidadãos complexados, onde ninguém quer ser "criado" de ninguém e onde quase ninguém está para se incomodar com quem não conhece (a não ser que se apareça na televisão e nos mais diversos meios de comunicação). Jovens, adultos, reformados ou desempregados, poucos são aqueles que assumem o voluntariado como uma prática privilegiada de realização pessoal e social.

Do ponto de vista pessoal, ser voluntário é descobrir que não vivemos sozinhos neste mundo e que as pessoas (nós e eles) têm vida própria e suas próprias vontades e necessidades. Ser voluntário é sentir a vontade de ajudar os outros, principalmente os mais necessitados. É ver que, mesmo tendo pouco, sempre temos alguma coisa que podemos dar.

Do ponto de vista da comunidade, ser voluntário é ser humilde, ser abnegado, não ser egocêntrico e ter uma grande vontade e disposição para ajudar o próximo. É ser carismático, um ser especial que atua para ajudar a melhorar a qualidade de vida da comunidade. É ser um agente de transformações que, mesmo fazendo um trabalho de formiguinha (que não aparece), acredita e consegue fazer com que o outro suba na vida, saia do "buraco" em que vive e tenha uma vida honrada de cidadão pleno.

Ser voluntário é ter a capacidade de prestar um serviço profissional e não esperar pelo seu pagamento (em dinheiro). É ficar feliz com a felicidade dos outros e saber que ajudou um pouco para que isso acontecesse. É ser solidário e compreender o valor da solidariedade humana. Não é tapar buracos e compensar carências. É contribuir, de modo contínuo e duradouro, para ajudar quem necessita e melhorar a qualidade de vida da comunidade. Uma oportunidade de fazer amigos, viver novas experiências, conhecer novas realidades. É ensinamento e aprendizagem.

Ser voluntário é gratificante e fácil, basta ter comprometimento e vontade.

Vasco Lopes da Gama

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A culpa é da crise!

Estamos numa época de depressão e de recessão, sem termos a menor ideia do tempo que vai durar e da dureza que vai ter.
Entrevistas, mesas redondas, conferências, colóquios, gráficos, números e diagnósticos, são apresentados quase todos os dias sobre a crise económica e financeira atual. Mas o problema é que ninguém aponta saídas e soluções para o "buraco" em que nos encontramos.
Todos repetem as já estafadas necessidades de reduzir os gastos do estado e aumentar as exportações. Pois é, mas como e quando?
Ao contrário das anteriores mentiras sobre o "oásis", do país onde a crise acabou, do país em recuperação económica, do país das grandes obras e dos grandes investimentos ─ a verdade é que começamos a entender que Portugal está descapitalizado e falido, sem uma banca sólida e de confiança, sem riqueza, sem crescimento e sem perspetivas.
Parece que todos nós levamos tempo para nos consciencializarmos das coisas e o princípio leninista de que uma mentira repetida muitas vezes, passa a verdade, tem continuado a fazer escola.
A verdadeira e principal questão não é a economia, nem as finanças. A questão é que estamos perante uma dramática crise política. Dizendo melhor, nós temos problemas económicos e financeiros, mas eles derivam e são consequência de uma profunda crise política e dos políticos.
A herança desta crise será para as próximas gerações endividadas. A geração dos nossos filhos, que em nada contribuíram para esta crise é que terão de pagá-la com os seus impostos e taxas.
Não é difícil acreditar e até aceitar a ideia de que a maioria das asneiras feitas, terá sido feita com boas intenções, mas, como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio!... Por isso não se podem retirar responsabilidades àqueles que as cometeram.
A crise política em que estamos mergulhados assenta em três vertentes: a qualidade do sistema político, o modo de funcionamento do sistema político e a qualidade dos políticos.
Quanto à economia, ela não deve ser encarada como um fim em si mesmo, devendo antes derivar de uma política e ser instrumento de uma estratégia. Por outro lado, o sistema financeiro deve pautar o seu objetivo fundamental no apoio à economia e, ao mesmo tempo, procurar dar resposta às preocupações sociais.
Por tudo isto é compreensível a dificuldade dos economistas apresentarem soluções para o nosso futuro, já que tinham que entrar por opções políticas com que não se querem comprometer ─ sendo certo que só homens honestos e competentes poderão fazer o país sair da difícil situação em que estamos mergulhados.
Mas será que isso só vai acontecer quando for demasiado tarde?
Vasco Lopes da Gama

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ano Novo, Vida Nova!


Após ausência de algumas semanas, volto hoje a este espaço de comunicação e partilha de algumas das minhas reflexões, esperando retomá-lo com uma regular continuidade.
Apesar de estarmos no início do mês de fevereiro e sendo este o meu primeiro tema deste ano, tomei a liberdade de partilhar convosco a minha reflexão sobre a famosa frase feita, que se repete em todos os finais e início de ano ▬ “Ano Novo, Vida Nova!”.
De facto, quem nunca ouviu ou disse essa frase? Trata-se de um lugar-comum que nos traz esperança, sonhos, desejos, aspirações… Mas alguém já parou para pensar no seu real sentido? No fundo trata-se duma visão nada romântica desse slogan inventado por algum ser humano insatisfeito com o ano que passou.
Todos os anos dizemos que no próximo ano uma vida nova recomeçará. É como se nossas vidas fossem cronómetros de 12 meses, que passam a zero no final de dezembro e que janeiro é colocado como o mês oficial da mudança, o mês oficial da esperança, mas, todos, continuamos com a mesma vida com que, supostamente, acabámos no ano anterior.
O ano que se inicia é novo, verdade! Mas nossa vida é a mesma! Normalmente, no primeiro dia útil, após o período festivo, voltamos para as nossas mesmas cadeiras, os nossos mesmos escritórios, os nossos mesmos empregos. Continuamos com o mesmo carro, o mesmo apartamento, os mesmos amigos. Temos as mesmas manias, a mesma personalidade, os mesmos problemas. Onde está então, a tal da Vida Nova?
Trata-se dum modo de falar. Não digo que é mau ter esperança, pelo contrário, ela traz o sonho de um futuro melhor, dá-nos forças para seguir em frente. A esperança não deve aparecer somente à meia-noite do dia 31 de dezembro, mas sim acompanhar-nos em todos os dias do ano.
Como seria bom que o novo ano de 2011 nos trouxesse realmente uma vida nova. As crises que atravessamos, a internacional e a interna, fossem aproveitadas para mudarmos a nossa maneira de ver as coisas, o nosso entendimento da política e dos políticos, o nosso olhar para o estado de Portugal. A crise interna, que para além de económica é acima de tudo de valores, pudesse ser mais facilmente ultrapassada com mais e melhor educação, com mais e melhor ensino, com mais e melhor cultura, e também com mais e melhor democracia.
Há dez anos que o nosso país não cresce e quase todos os números são maus, todos os nossos indicadores estão no fundo da Europa. Temos por isso de mudar o rumo que os portugueses estão a levar, e isso está nas nossas mãos. Com o bater das doze badaladas da meia-noite, no último suspiro do ano velho, as esperanças renovam-se e os desejos intensificam-se. Comem-se as passas e pedem-se coisas, em voz baixa, quase em segredo, com o desejo de que o novo ano venha a ser muito diferente, para melhor, do que acaba de falecer, e nos venha trazer tudo o que desejamos e pelo que andamos a lutar já há muito tempo.
Quantos de nós, naquela altura do ano, não decide mudar alguma coisa na sua vida? Deixar de fumar; fazer dieta e perder peso, mudar de emprego,  ... É um rol interminável de projectos que, na maior parte dos casos, já foram esquecidos ao fim de alguns dias. Hoje em dia a vida decorre a uma velocidade tal que nós esperamos, desejamos, exigimos resultados rápidos e esquecemo-nos de que há coisas que levam o seu tempo a ser concretizadas.
O nascer dum novo ano traz sempre uma nova visão da vida, repleta de boas intenções e presságios. Para trás ficam o Ano Velho, as deceções e as recordações das desgraças.
Neste novo ano, quero que, dentro de mim, só existam pensamentos positivos, coisa que eu sei ser utópica, mas que quero tentar vir a ter diariamente. O dia a dia do meu país, e o meu próprio, não mo vão deixar, com os problemas que não vão deixar de continuar a existir, e com os outros que nos virão a ser criados todos os dias.
No entanto, não nos devemos esquecer que os pensamentos positivos são meio caminho andado para obter sucesso. È necessário e importante aprendermos a rir e a acreditar em nós próprios e nas nossas capacidades. E, sobretudo, nunca devemos perder a esperança, pois ela dá-nos uma força extraordinária, tornando-nos capazes de mover montanhas e conseguirmos a realização dos nossos desejos.
Um bom Ano de 2011 para todos!
Vasco Lopes da Gama

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Esperança e Confiança no Futuro


Há cada vez mais pessoas desiludidas, sem esperança, sem paz, desesperadas, achando que não há solução para as suas angústias e problemas.

Existe um ditado popular que diz que a esperança é a última a morrer. Mas, na verdade, o ritmo acelarado da vida, as obrigações de todos os tipos e as múltiplas atenções impostas pelo ambiente social pervertem, de certo modo, o sentimento que antes caracterizou a vida das famílias, quando não havia tantas pressões para cumprir as exigências do viver diário.

O fato é que existe, por toda a parte, um nervosismo e uma ansiedade coletiva, configurados numa série de curiosos aspectos, e que custa muito a acalmar. Diríamos que, apenas é satisfeita uma necessidade, uma exigência ou um desejo, surgem de imediato outros que, com maior insistência, exigem ser atendidos e resolvidos, muitas vezes em prejuízo da justa medida das conveniências e do bom senso.

A esperança de muitos está fundamentada nos prazeres do mundo: nos bens desta vida, na vaidade da vida, na fama, no sucesso, nas pessoas, no dinheiro e riqueza, no Ter e não no Ser.

A esperança é o sentimento que leva o homem a olhar para o futuro, considerando-o portador de condições melhores que as oferecidas pelo presente, por forma que a luta pela vida e os sofrimentos sejam enfrentados como contingências passageiras, na marcha para um fim mais alto e de maior valor.

A esperança nasce do confronto que o eu estabelece entre o que é - realidade atual; o que foi - o passado; e o que poderá ser − o futuro, a possibilidade. Por isto, a esperança não encerra uma atitude passiva − essa é própria da fé. A esperança implica atividade, extroversão, pois aquele que tem esperança, tem-na para si e para todos. Enquanto vivência ela pode ser individual mas, na sua essência, ela é colectiva. Arriscamos mesmo a dizer que ela é constitutiva da essência do ser humano.

A esperança pode também definir-se como confiança no cumprimento de um desejo ou de uma expectativa. Ela faz parte do nosso dia-a-dia – esperança para a nossa vida, para a nossa família e para a sociedade.

 

Hoje é necessário e imperioso que volte a renascer a confiança, o entusiasmo e a fé no futuro, e, para que isso aconteça, será necessário trabalhar intensa e incansavelmente, a fim de conquistar a paz social, ainda que com sacrifício, sem esquecer a compreensão extraída de todos os acontecimentos passados, para se poder assim reformar a conduta da nossa sociedade, fazendo-o sem receios nem desconfianças, com nobreza e dignidade, pelo caminho que cada um deve percorrer desde o nascimento até à morte.

Atualmente, pensar em confiar no futuro, parece impossível para a maioria das pessoas. A observação da conduta do ser humano, diante das mais variadas situações que se apresentam na vida, faz pensar que o destino da nossa sociedade, é muito preocupante, principalmente no aspecto moral.

Perante isto, interrogamo-nos: como confiar no futuro? Eu confio no meu próprio futuro?

Para o efeito tomemos, como exemplo, o futuro profissional. Nesse caso, há confiança quando a pessoa estuda e se capacita para realizar um bom trabalho e ser bem remunerada pelos serviços prestados. Mas isso não é o bastante para que o indivíduo se sinta plenamente confiante no futuro da sua vida. A profissão corresponde a uma parte importante dela, mas não é tudo. Para que haja equilíbrio, é lógico a necessidade de capacitação em todas as áreas da vida.

Para confiar no futuro e encaminhar a vida de forma mais digna, com bons pensamentos, sentimentos e moral elevada, que devemos fazer? Assim como, na profissão, como estudar e nos capacitarmos para que se confie plenamente no futuro em todos os aspectos da vida?

Em primeiro lugar é necessário fazer uma análise sincera do que se é. Devemos identificar se na nossa mente existem pensamentos que não estão de acordo com os propósitos mais elevados que queremos atingir, assim como os pensamentos que limitam a nossa vida e a nossa conduta, escravizando-nos e tirando-nos a confiança que temos em nós próprios. A partir daí, é possível estudar esses pensamentos, encontrar suas causas, planear estratégias e esforçarmo-nos em lutar contra eles, até conseguirmos enfraquecê-los e assim atuarmos mais livremente. Ainda que se manifestem outras vezes, não impedirão mais que confiemos no futuro, porque este saberá que pode ser diferente do que é superando-se completamente.

A confiança no futuro depende da capacitação mental que cada um adquire com o estudo e as experiências de vida, procurando sentir-se cada vez mais apto em realizar o que se propõe.

Aos mais jovens, dizem os mais velhos, alguns dos políticos, dos intelectuais e dos professores: “Vós, jovens, sois a esperança do futuro!”.  Mas para que isto seja verdade devemos, eventualmente e, primeiro lugar, questionar: Qual o exemplo que os adultos estão a dar às novas gerações? Que valores lhes transmitimos? Os valores da intriga, da inveja e da mediocridade cultural, social e ética?

Não há dúvida de que é nos jovens que teremos a esperança de um futuro melhor, quer para os outros quer para nós próprios. Será aos jovens, que caberá a concretização dessa esperança e que ninguém ponha em dúvida de que eles serão capazes de construir uma sociedade mais justa, equilibrada e otimista para todos.

Mas confiar no futuro consiste também e acima de tudo, em confiar em nós próprios. Na verdade, o que a nossa sociedade precisa, é de verdadeiros líderes, bons modelos, comprometidos com a verdade, com a dignidade, o respeito e cujo objetivo seja a ela servir.


Vasco Lopes da Gama

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

…e o Repórter estava lá!

Filhos de agricultores escolheram deixar o campo

Um flash ficcionado da Região Oeste, contado na primeira pessoa, que acaba por ser um retrato do nosso mundo rural              

“Sem qualidade de vida e sem a criação de incentivos, não há motivação para fixação e permanência no campo”. Esta é a opinião do casal António Mota, de 63 anos, e Isabel Mota, de 61. Os dois trabalham afincadamente na lavoura na sua propriedade de um hectare, na região Oeste. Resignados, não esperam, nem sequer desejam, que os filhos tenham a vida que eles levam.
António e Isabel tiveram quatro filhos. João morreu do coração três meses antes de se formar. Fernando, de 33 anos, é técnico da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte. Manuel, com 30 anos, é mecânico automóvel, em Lisboa, e a Joaquina, de 23 anos, está ainda a estudar em Coimbra.
Com 39 anos de casamento, os dois estão acostumados a trabalhar juntos e sozinhos. Não querem mudar de vida e, muito menos, ouvir falar em morar na cidade, onde já estiveram e de onde não guardam saudade.
–“Fico tonta, nervosa, Lisboa é muito barulhenta tem muito movimento. Apesar de sofrida, a vida do campo é melhor” – diz Isabel, e António concorda com a cabeça.
Separando as laranjas e os diospiros acabados de colher, os dois fazem movimentos repetitivos e precisos, enquanto explicam por que os filhos não se interessam pelo campo. O casal conta que não teve escolha diante dos próprios pais. Naquela época, contam, era quase uma obrigação seguir o exemplo dos pais. E foi o que fizeram.
–“Hoje a cultura é deixar livre para escolher. Então deixamo-los caminharem com as próprias pernas. Quando dei por mim, estava sozinha” – lembra Isabel.
António é mais cético quanto à escolha dos filhos. Para ele, falta qualidade e incentivos à vida no campo. “A rentabilidade da terra diminuiu e na nossa idade a terra é cada vez mais complicada de lidar”. Os Mota acabaram por arrendar parte do terreno, para trabalharem em apenas metade da sua propriedade.
–“O campo não dá dinheiro, por isso os jovens vão-se embora" – diz António. “A nossa vila, tinha 74 agricultores em 1995, hoje tem apenas 28”.
Um seu vizinho, o agricultor Vítor Fonseca, de 64 anos, traz o rebanho de vacas leiteiras a pastar numa zona onde, em tempos, foi o campo de futebol do Clube Desportivo da vila. Os jogos semanais de futebol, que eram o lazer predileto dos homens da terra, já não existem. Faltam jogadores para formar as equipas, onde, até 1990, se disputavam torneios e campeonatos entre as comunidades da zona.
–“Agora, com o que sobrou de gente, não dá sequer para formar uma equipa. O campo de futebol já virou pastagem. Só restam as balizas para lembrar os jogos de antigamente. Não há mais lazer. Agora os homens vão-se divertindo jogando às cartas” – afirma Vitor.
Ele e a mulher, Maria Fonseca, de 64 anos, ficaram sozinhos na propriedade de 2 hectares. Com dois casais de filhos, não houve promessa que fizesse um deles permanecer lá. Para o mais novo, Tiago, de 24 anos, o pai chegou a fazer três propostas. Disse que daria algumas vacas para começar, depois aumentou a oferta. Nada que persuadisse o rapaz a aceitar.
–“Eu investi para ele estudar. Foi para Aveiro e não quer saber de voltar. Trabalha lá numa fábrica” – conta. Os filhos mais velhos, Marília, Patrícia e Renato, moram em centros urbanos.
–“Eu achava que pelo menos um fosse ficar com a gente” – diz, triste, Maria.
O casal está a vender e a desfazer-se das vacas que ainda restam. As terras, vão ser arrendadas, e os dois pensam ficar só com uma pequena parcela de terra para a sua horta, vivendo os dois apenas um para o outro, o resto da sua velhice.
Vasco Lopes da Gama


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

            
Feliz Natal e um Bom Ano de 2011  
Que este Natal e Ano Novo sejam mais do que confraternizações porque todos os momentos, em especial este novo ano, deverão ser iluminados, abençoados e que os 365 dias, sejam vividos na sua plenitude. Já que Natal significa NASCER, nasçamos então dia 25, para que os doze vinte e cinco dias vindouros, sejam de busca pela paz, conquista, compreensão, reflexão e prosperidade.

Um Feliz Natal e um Bom Ano Novo para todos!

Vasco Lopes da Gama


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Almoço com Deus... - Parábola humana!

Um menino queria conhecer Deus.

Sabia que teria que fazer uma grande viagem para chegar aonde Ele vive, por isso, guardou na sua maleta pastéis de chocolate e refrescos de fruta… E começou a sua viagem.

Quando tinha caminhado durante umas horas, encontrou-se com uma velhinha. Estava sentada num banco do parque, sozinha, a contemplar silenciosamente umas pombas que bicavam migalhas de pão que ela lhes atirava.

O menino sentou-se junto dela e abriu a sua maleta. Começou a beber um dos seus refrescos, quando notou que a velhinha o olhava; então, ofereceu-lhe um refresco. Ela, agradecendo, aceitou-o e sorriu. O seu sorriso era muito belo, tanto que o menino quiz vê-lo de novo; para isso, ofereceu-lhe um dos seus pastéis. De novo, ela sorriu. O menino estava encantado; e ficou, durante toda a tarde, junto dela, comendo e sorrindo, mesmo sem dizer qualquer palavra.

Quando escureceu, o menino levantou-se para ir embora. Deu alguns passos, mas logo parou; voltou atrás, correu para a velhinha e abraçou-a.

Ela, depois de o abraçar, dedicou-lhe o maior sorriso da sua vida.

Quando o menino chegou a casa, a sua mãe ficou surpreendida com o rosto de felicidade que ele manifestava. Então, perguntou-lhe: “Filho, que fizeste hoje para vires tão feliz?". O menino respondeu-lhe: "Hoje almocei com Deus!"... E, antes que sua mãe reagisse, acrescentou: “E sabes? Tem o sorriso mais belo como nunca vi!"

Entretanto, a velhinha, também radiante de felicidade, regressou a sua casa. O seu filho, ao vê-la, ficou surpreendido com a expressão de paz que se reflectia no seu rosto, e perguntou-lhe: "Mamã, que fizeste hoje que vens tão feliz?”. A velhinha respondeu-lhe: "Comi pastéis de chocolate com Deus, no parque!”. E, antes que o filho lhe respondesse, acrescentou: “E  sabes? É mais jovem do que eu pensava!".

CONCLUSÃO:
Com frequência, não damos valor à importância de um abraço, de uma palmadinha nas costas, de um sorriso sincero, de uma palavra de alento, de um ouvido que escuta, de um cumprimento sincero, ou do acto mais insignificante de preocupação amiga...

Porém, todos esses pormenores têm o mágico poder de mudar a nossa vida ou a dos outros, causando uma grande reviravolta e transmitindo felicidade.

Todas as pessoas chegam às nossas vidas por uma qualquer razão, seja apenas durante um certo tempo, ou seja para toda uma vida. Saibamos recebê-las a todas por igual!

AH! NÃO TE ESQUEÇAS DE ALMOÇAR SEMPRE COM DEUS!...


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um abraço diz muitas coisas...

Abraços significam amor para alguém com quem realmente nos importamos.

Um abraço é algo espantoso, é a forma perfeita de mostrar o amor que sentimos, mas que as palavras não podem nem conseguem dizer.

É engraçado como um simples abraço nos faz sentir bem, qualquer que seja o lugar onde estejamos ou idioma que falemos.

Um abraço é sempre compreendido. Um abraço não precisa de equipamentos, pilhas ou baterias especiais ▬ é só abrir os braços e os corações...

Existem abraços que expressam o orgulho que se sente por alguém especial!...

Há abraços doces e ternos e há abraços que são dados em momentos de tristeza que dizem “sinto muito”, quando alguém está a passar por um momento difícil.

E não faltam também aqueles abraços perfeitos para fazer as pazes, abraços cheios de carinho, que nascem do coração...

Como vemos existem abraços para diferentes ocasiões, abraços rápidos e abraços demorados, consoante cada situação em concreto.

O abraço é milagroso  ▬ é realmente medicina muito forte. O abraço, como sinal de afetividade, de carinho e de perdão, pode ajudar-nos a viver mais tempo, protegendo-nos contra doenças, curando a depressão e fortificando os nossos laços familiares.
Por todas estas razões, o uso regular do abraço, estimula a vontade de viver, crescer e progredir.
E hoje, não resisti a reproduzir aqui um poema que acabei de receber:
Abraço
É demonstração de afecto
Carinho e muito amor
É saudade e lágrima
Mas também o calor

Abraço é amar
É querer aconchego
É sentir um amigo
Com todo o seu apego

Podemos abraçar
Uma causa uma pessoa
Abraço é abraço
É cingir e cercar
É não sentir espaço

Abraçar uma causa
É o que nos faz sentir
Que quem luta acredita
E nunca deve desistir

Abraçar uma criança
Transmitir-lhe carinho
É dizer-lhe com os braços
Que nunca estará sozinho

Abraçar um amigo
Com toda a fraternidade
É como dizer estou aqui!
Para a toda a eternidade

Abraçar um amor
Com toda a compreensão
É desatar todos os nós
E fazer um laço de união

Vamos assim abraçar
Uma criança, uma causa
Um amigo e o nosso amor?
Custa tão pouco abraçar...
Acreditem não dá dor!

Certamente concordarão que, de facto, o abraço é um excelente tónico!

Vasco Lopes da Gama

sábado, 13 de novembro de 2010

Os Seniores na Família


A família constitui a célula fundamental da sociedade, representando, desde sempre e numa dinâmica evolutiva e sempre renovada, o espaço mais importante da realização da Pessoa e da transmissão de valores e da vivência entre gerações.

Cada família cumpre a sua missão, quando lhe é possível desenvolver-se como comunidade de pessoas ligadas por afectos, compromissos e por um elo de zelo mútuo, aberta à vida, à educação dos filhos e à solidariedade entre os membros, das diversas gerações que a compõem.

Para além da pessoa individualmente considerada, é nas famílias, que se deve centrar a análise e compreensão da realidade social, os critérios de decisão, o desenvolvimento de respostas e de acções.

Somos de opinião que é a partir das famílias que se pode construir uma sociedade mais humana, mais equilibrada, mais coesa e mais solidária.

Especialmente perante o idoso, a família vem assumindo um papel importante e inovador, na medida em que o envelhecimento acelerado da população, a que estamos assistindo, é um processo recente e ainda pouco estudado pelas ciências sociais.

Caberá aos membros da família entender o idoso, no seu processo de vida e de transformações, conhecer as suas fragilidades, modificando a sua visão e atitude sobre a velhice e colaborar para que o idoso mantenha a sua posição junto do grupo familiar e da sociedade.

A família precisa de um período de adaptação para aceitar e administrar com serenidade a nova situação, de forma a respeitar as necessidades dos pais e evitar que se sintam um encargo para os filhos. Daí a importância do idoso concentrar esforços para, nos mais diversos sentidos, não se entregar à inatividade evitando o mais possível o sentimento de dependência da família, que tanto aflige o idoso.

No terceiro milénio a família está cada vez mais distanciada do modelo tradicional, no qual o idoso ocupava lugar de destaque.

Estamos a viver  um  período de transição e mudanças, onde se torna necessário o entendimento das transformações sociais e culturais que se vêm processando nas últimas décadas, para enfrentarmos o nosso próprio processo de envelhecimento, dentro de expectativas condizentes com as novas formas de organização familiar.

Uma sociedade será aquilo que forem as suas famílias, sendo que a qualidade de vida das famílias é uma importante medida do nosso viver. Assim, torna-se necessário e importante que todos nos empenhemos  num trabalho orientado para o desenvolvimento duma política de família, para os nossos dias.

Com a emancipação e inserção das mulheres no mercado de trabalho, as dificuldades económicas dos novos casais, a lotação, escassez e encarecimento de espaços seguros onde as crianças possam ficar quando os pais trabalham, a redução das famílias numerosas e alterações nas estruturas familiares, solicitaram aos avós que abdicassem da sua calma reforma a dois e passassem a assumir um papel mais activo.

Na família, os avós de hoje, mais do que os “velhinhos” queridos e pacientes que brincam, mimam, contam histórias e passeiam com os netos sempre que estes os visitam, têm um papel bem mais comprometedor na vida dos seus netos.

A relação que os avós estabelecem com os netos pode proporcionar como que uma fonte de gratificação, bem-estar e prazer, ao mesmo tempo que pode proporcionar uma oportunidade para reencontrar a sua auto-estima, pela “utilidade” que lhe é atribuída, pela partilha que fazem com os netos que, principalmente pelo característico espírito curioso dos mais novos, vão solicitar a sua sabedoria para a compreensão de tudo o que os rodeia.

Numa grande maioria de situações os netos acabam por funcionar como agentes muito importantes no “combate” à solidão, sentimento que frequentemente ameaça e assusta os idosos.

No entanto, qualquer que seja a estrutura na qual se organizará a família do futuro, há a necessidade de que se mantenham os vínculos afectivos entre seus membros e os idosos. Nesta fase da vida, o que o idoso necessita é sentir-se valorizado, viver com dignidade, tranquilidade e receber a atenção e o carinho da família.

Vasco Lopes da Gama