Após ausência de algumas semanas, volto hoje a este espaço de comunicação e partilha de algumas das minhas reflexões, esperando retomá-lo com uma regular continuidade.
Apesar de estarmos no início do mês de fevereiro e sendo este o meu primeiro tema deste ano, tomei a liberdade de partilhar convosco a minha reflexão sobre a famosa frase feita, que se repete em todos os finais e início de ano ▬ “Ano Novo, Vida Nova!”.
De facto, quem nunca ouviu ou disse essa frase? Trata-se de um lugar-comum que nos traz esperança, sonhos, desejos, aspirações… Mas alguém já parou para pensar no seu real sentido? No fundo trata-se duma visão nada romântica desse slogan inventado por algum ser humano insatisfeito com o ano que passou.
Todos os anos dizemos que no próximo ano uma vida nova recomeçará. É como se nossas vidas fossem cronómetros de 12 meses, que passam a zero no final de dezembro e que janeiro é colocado como o mês oficial da mudança, o mês oficial da esperança, mas, todos, continuamos com a mesma vida com que, supostamente, acabámos no ano anterior.
O ano que se inicia é novo, verdade! Mas nossa vida é a mesma! Normalmente, no primeiro dia útil, após o período festivo, voltamos para as nossas mesmas cadeiras, os nossos mesmos escritórios, os nossos mesmos empregos. Continuamos com o mesmo carro, o mesmo apartamento, os mesmos amigos. Temos as mesmas manias, a mesma personalidade, os mesmos problemas. Onde está então, a tal da Vida Nova?
Trata-se dum modo de falar. Não digo que é mau ter esperança, pelo contrário, ela traz o sonho de um futuro melhor, dá-nos forças para seguir em frente. A esperança não deve aparecer somente à meia-noite do dia 31 de dezembro, mas sim acompanhar-nos em todos os dias do ano.
Como seria bom que o novo ano de 2011 nos trouxesse realmente uma vida nova. As crises que atravessamos, a internacional e a interna, fossem aproveitadas para mudarmos a nossa maneira de ver as coisas, o nosso entendimento da política e dos políticos, o nosso olhar para o estado de Portugal. A crise interna, que para além de económica é acima de tudo de valores, pudesse ser mais facilmente ultrapassada com mais e melhor educação, com mais e melhor ensino, com mais e melhor cultura, e também com mais e melhor democracia.
Há dez anos que o nosso país não cresce e quase todos os números são maus, todos os nossos indicadores estão no fundo da Europa. Temos por isso de mudar o rumo que os portugueses estão a levar, e isso está nas nossas mãos. Com o bater das doze badaladas da meia-noite, no último suspiro do ano velho, as esperanças renovam-se e os desejos intensificam-se. Comem-se as passas e pedem-se coisas, em voz baixa, quase em segredo, com o desejo de que o novo ano venha a ser muito diferente, para melhor, do que acaba de falecer, e nos venha trazer tudo o que desejamos e pelo que andamos a lutar já há muito tempo.
Quantos de nós, naquela altura do ano, não decide mudar alguma coisa na sua vida? Deixar de fumar; fazer dieta e perder peso, mudar de emprego, ... É um rol interminável de projectos que, na maior parte dos casos, já foram esquecidos ao fim de alguns dias. Hoje em dia a vida decorre a uma velocidade tal que nós esperamos, desejamos, exigimos resultados rápidos e esquecemo-nos de que há coisas que levam o seu tempo a ser concretizadas.
O nascer dum novo ano traz sempre uma nova visão da vida, repleta de boas intenções e presságios. Para trás ficam o Ano Velho, as deceções e as recordações das desgraças.
Neste novo ano, quero que, dentro de mim, só existam pensamentos positivos, coisa que eu sei ser utópica, mas que quero tentar vir a ter diariamente. O dia a dia do meu país, e o meu próprio, não mo vão deixar, com os problemas que não vão deixar de continuar a existir, e com os outros que nos virão a ser criados todos os dias.
No entanto, não nos devemos esquecer que os pensamentos positivos são meio caminho andado para obter sucesso. È necessário e importante aprendermos a rir e a acreditar em nós próprios e nas nossas capacidades. E, sobretudo, nunca devemos perder a esperança, pois ela dá-nos uma força extraordinária, tornando-nos capazes de mover montanhas e conseguirmos a realização dos nossos desejos.
Um bom Ano de 2011 para todos!
Vasco Lopes da Gama



